Que informação dramática...
Andava com muita curiosidade em ver o filme “The Drama”, porque ouvi muito zumzum e, quando é assim, gosto de ver e descobrir qual é o alarido.
O filme é protagonizado pela Zendaya e pelo Robert Pattinson, que fizeram um excelente trabalho nas interpretações das suas personagens e me prenderam em cada momento.
A história é contada em formato de narrativa, andando constantemente para trás e para a frente no tempo e, pessoalmente, não sou apreciadora desse estilo. Já vi mais filmes e séries assim e, realmente, não gosto.
A premissa é a seguinte: o que farias se descobrisses algo condenável sobre o teu parceiro a dias do casamento?
É esta questão que começa a ser explorada no início quando quatro amigos vão jantar e, depois de uns copos, decidem contar os seus segredos mais tenebrosos.
O que me irritou — e foram várias coisas — foi a forma como reagiram ao segredo da Emma. Todos eles revelaram segredos condenáveis, mas, quando chega a vez dela, todos a condenam, em especial a sua suposta amiga, que lhe oferece zero compaixão e critica durante o resto da história.
Esta cena foi fez-me lembrar aqueles amigos que não são bem nossos amigos e que, à primeira disputa, decidem condenar-nos sem sequer falarem connosco primeiro.
Eu já tive uma amiga assim, que achou que tinha contado algo sobre ela e decidiu que tinha sido eu a partilhar aquilo que ela tinha contado. Deixou de me falar e, depois, foi contar o que tinha acontecido a um amigo nosso em comum, que me defendeu, disse que eu não faria isso e aconselhou-a a vir falar comigo.
Entretanto, já não me lembro do desfecho, mas tan tan taaaaam: não fui eu. Quem foi, quem foi? Foi a terceira pessoa que estava connosco que foi contar à pessoa de quem gostava (para ganhar pontos) que, por sua vez, foi contar à outra por quem estava interessada. Que confusão, certo?
Enfim, como eu sou uma pessoa tranquila e compreensiva no que toca a estes arrufos, compreendi a situação e deixei para lá. Passamos uns anos à frente, criei um podcast e essa suposta amiga, envia-me uma mensagem de ódio, a insultar-me a mim e à minha melhor amiga e, novamente, sem me deixar explicar a situação.
Estou a partilhar isto convosco para vos avisar e deixar conscientes de que, aquele primeiro conflito foi uma prova de que ela nunca foi minha amiga. E a prova final foi com essa mensagem. Penso nisto muitas vezes, mas eu, na altura, não sabia melhor.
Quando as pessoas que são “nossas amigas” nem sequer nos dão a oportunidade de nos defendermos ou o benefício da dúvida, essas pessoas nunca foram nossas amigas para começar.
Voltando ao filme, a Alice foi altamente irritante e, na minha opinião, a história dela foi muito pior do que a da Emma. But, alas, seguimos.
Charlie, Charlie…para começar, é um nhónhó de todo o tamanho. Não o aguento. Achei-o insuportável. À parte do meu desgosto pessoal, irritou-me solenemente ele ficar tão conflituoso com o segredo da sua companheira.
Como pessoa que já foi uma pessoa completamente diferente daquilo que é hoje e que saiu de um ciclo de autodestruição, acho que não devemos julgar as pessoas pelo seu passado. Contudo, porém, não obstante…acho que devemos ter consciência desse passado e prestar especial atenção às suas atitudes e àquilo que essa pessoa nos mostra ser.
Pelo que o filme mostra - e até mesmo pela perspetiva do Charlie - ela é uma pessoa empática e que se defende perante injustiças. Como é que este homem, perante a mulher que diz amar e conhecer, fica com tantos dilemas por causa de uma questão que se passou na adolescência, que nem chegou a concretizar-se, e nem a deixa sequer explicar-se ou ter uma conversa adulta e madura com ele? Em vez disso, só piora e piora e revela ser uma pessoa insuficiente para a Emma. Que foi outra coisa que me irritou no filme, o fim. Não concordo e, para mim, deveria ter tido outro desfecho.
Mas lá está, esta ladainha da mulher que perdoa tudo e um par de botas, ser complacente, compreensiva, compassiva, enquanto o oposto nunca acontece. Aliás, somos quase atiradas à fogueira por tudo e qualquer coisa que façamos na nossa vida, imaginem atos imorais.
Estando ele pronto para casar com aquela pessoa, acho que ele deveria ter tido outra postura e maturidade. Acho que ele devia de ter avaliado quem é a pessoa que está ao lado dele, quais são as suas ações e quem é que ela lhe mostra ser. Eu percebo perfeitamente o questionamento e a confusão inicial, o que eu não entendo foi tudo o que se deu a seguir a esse facto.
Eu acredito na mudança, porque eu mudei. Eu acredito que as pessoas são capazes de mudar, assim como acredito que as pessoas não são capazes de mudar. Os dois existem. O que distingue as pessoas que dizem que mudaram das que efetivamente mudaram são as suas ações.
As palavras são bonitas, aconchegadores e reconfortantes, mas, para além das palavras, quais são as atitudes e ações dessa pessoa? E, neste caso, a Emma tinha um reportório de provas para mostrar que aquilo foi um momento e não quem ela é.
I rest my case, Your Honour. Thank you.
Para concluir, pode não parecer, mas eu gostei do filme, principalmente porque abre espaço para diferentes perspetivas e discussões sobre o tema.
Até para a semana,
Margarida




Margarida! Subscrevo tudo o que escreveste. Eu acredito que somos muito mais o que fazemos do que o que pensamos. O Charlie irritou-me e a Alice é a vilã desta história toda! Btw acho que o facto da Emma ser negra importa para a história, mesmo que seja apenas uma crítica subtil à forma como algumas pessoas brancas se acham moralmente superiores.
O que eu gostei deste filme! Serviu mesmo para entreter e passar o tempo, foi um filme divertido apesar da temática. Adoro estes filmes com situações em que quase morres de cringe e estupefacção, tipo a aquela sessão de fotos que eles foram fazer e a fotógrafa a passar mal que não conseguia tirar fotos deles?!?!? E depois a cena do casamento, epa pico de constrangedor e tensão ahahah Fiquei chocada o filme todo!
Concordo que a acção dela era a menos má de todas, a da amiga foi MUITO PIOR. Acho que a graça é que o filme acaba por exagerar e caricaturar a reacção das pessoas perante a suposta gun violence, que é um tema sensível nos EUA. Tenho andado a pensar e, de facto, acho que o justo era não haver casamento nem segunda hipótese, mas no dia em que vi o filme devia estar lamechas porque gostei bue deles como casal e queria-os juntos. E gostei do Charlie, mas admito que pode ser porque acho o Robert Pattinson super giro e projectei daí (e porque adorei o apartamento do filme loool).